Um banho na alma

banho na alma

Já completamente desiludida, acreditando num castigo divino, senti cheiro de terra molhada. O melhor cheiro que poderia sentir, melhor que o de um banquete quando se está com fome, melhor que o de chocolate na TPM. O alvoroço das folhas dançando no topo das árvores, a ventania embaraçando meus cabelos. A melhor sensação que eu queria sentir.

Algumas gotas bastariam para lavar os dias secos que fomos obrigados a suportar. Nesses dias sofridos, pensar em sair de casa dava desânimo. Ficar em casa era sofrimento. Uma gota de suor era igual a um balde de impaciência. Se essa semana infernal tivesse acontecido antes das eleições, votar na Marina seria cogitado, focar no aquecimento global, efeito estufa e sustentabilidade seriam prioridades (e deveriam ser mesmo!).

Poucos minutos já seriam o suficiente para curar doenças causadas pela falta de umidade, pelas noites mal dormidas, pelo desinteresse por exercícios nas noites quentes, e a minha baixa imunidade.

Talvez fosse obra de um grupo de oração. Talvez fosse o resultado de uma dança de índios. Ou então as nuvens cansaram de fazer pirraça e resolveram dividir um pouco da água que roubaram da gente. Sei lá, os meteorologistas explicariam bem melhor. Mas pra mim é mais simples: Deus nos ouviu e fomos abençoados.

Não com apenas algumas gotas de água da chuva, não com poucos minutos de compaixão. Mas com um banho na alma e o fim da agonia.

 

Por Maísa Ávila

Anúncios

5 comentários sobre “Um banho na alma

Algum comentário sobre o que eu disse? Me conte..

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s